Vasco da Gama

Vasco a Cruz do Bacalhau

Editora Ediouro

Aldir Blanc em Parceria com José Reinaldo Marques

Aldir Blanc e Clube de Regatas Vasco da Gama são dois valores que adoro, não necessariamente nesta ordem. Ambos também se amam faz muitos anos e, como toda relação muito longa, está sujeita a chuvas e trovoadas. O compositor Aldir, que já homenageou o Vasco em suas músicas, lembrando particularmente dos times da sua infância, poderia, em tempos de presidências constrangedoras, apoderar-se dos versos de Monsueto e cantar que quer o Vasco assim mesmo, ou seja, apesar de tudo.

Agora que cheguei aos 70 anos, sinto-me com autoridade para afirmar a todas as gerações atuais e a todas que virão: vale a pena ser vascaíno. É que o Vasco é um clube popular sem ser vulgar ou populista. É o clube da elite intelectual (Carlos Drummond de Andrade, Rubem Fonseca, João Ubaldo Ribeiro, Pixinguinha, Villa-Lobos, Paulinho da Viola etc.) e ao mesmo tempo das camadas classificadas pelo consumo como integrantes das classes C e D. E nasceu dissílabo e paroxítono, não exigindo da sua torcida, portanto, o esforço dos torcedores adversários de reduzir seus clubes a mengos, nenses e fogos, quando precisam gritar por eles.

É o clube mais brasileiro de todos, a começar pela sua formação, a mesma formação do Brasil. É o clube que enfrentou e venceu o racismo dos seus adversários, que preferiam um futebol praticado apenas pelos brancos da classe A. Conhecendo a história do Vasco você entende porque os adversários se desesperam quando partimos para as grandes conquistas, como ocorreu na formação de uma espécie de quinta coluna, a tal Fla-Madri, às vésperas de uma decisão da Taça Toyota, em Tóquio. Foi a versão moderna do antigo racismo.

Enfim, conhecendo o Vasco você saberá a razão pela qual um cara como Aldir Blanc é vascaíno. Sérgio Cabral

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